Investimento Social Corporativo

Autoria João Morais, coordenador do BISC na Comunitas

Definição

A definição de Investimento Social Corporativo (ISC) dialoga diretamente com o conceito de Investimento Social Privado (ISP), ou seja, consiste no repasse voluntário, planejado e monitorado de recursos privados — sejam eles financeiros, humanos, técnicos ou materiais — para a realização de projetos de interesse público. Contudo, o recorte ‘corporativo’ segmenta este conceito especificamente para o campo das empresas e/ou seus institutos e fundações empresariais – diferenciando-o de outros recursos mobilizados por iniciativa privada, como indivíduos, famílias e comunidades. O ISC caracteriza-se por sua atuação estratégica e pela busca por gerar impactos sociais e ambientais positivos e mensuráveis, promovendo o desenvolvimento sustentável das comunidades e territórios, ao mesmo tempo em que dialoga com os valores e a estratégia de sustentabilidade das empresas mantenedoras.

Origens e evolução

Da mesma forma, sua origem também está totalmente conectada ao ISP. No exterior, o conceito Corporate Social Investment e derivados, como corporate philanthropy ou community investment são bastante disseminados nas estruturas empresariais. No Brasil, o termo ISC ganha força principalmente a partir de 2008, com a primeira edição da Pesquisa BISC (Benchmarking do Investimento Social Corporativo), que passa a monitorar anualmente este segmento no país até os dias atuais.

Contexto e relevância

Em um contexto em que o setor corporativo está mais envolvido com ações voltadas ao desenvolvimento sustentável e que os investimentos sociais se aproximam da estratégia global das companhias, a diferenciação entre ISP e ISC possui uma dimensão didática e mobilizadora. Didática porque permite compreender o ISC como um conjunto de recursos que possui características distintas de outras fontes de ISP, por se originar no meio empresarial e ter um rito de tomada de decisão e apetite ou aversão a riscos particular. Mobilizadora porque a formação da agenda especificamente em torno da qualificação do ISC e suas melhores práticas mobiliza e engaja líderes e estruturas empresariais que, de outra forma, poderiam não se identificar como investidores sociais em potencial.

Debates, disputas e perspectivas

As disputas em torno do campo, em alguma medida, se assemelham às mesmas existentes no próprio conceito de ISP. Particularmente ao campo empresarial, o ISC está exposto a críticas relacionadas ao efetivo comprometimento das corporações com o desenvolvimento da sociedade. Perspectivas mais críticas apontam que o ISC, assim como a agenda de sustentabilidade e de ESG, serve para empresas desviarem o foco dos impactos ambientais e sociais gerados por suas atividades.

Mesmo para pontos de vista que consideram o ISC uma iniciativa das empresas genuinamente voltada ao interesse público, existem críticas sobre sua abordagem mais voltada aos sintomas dos problemas sociais do que às suas causas raízes – que geralmente passam pela distribuição de renda e poder, crítica bastante presente no campo do ISP em geral.

Mais recentemente, um debate em curso é a integração entre o investimento social e os negócios, na qual se reconhece uma matriz de oportunidades e sinergias para fortalecer a agenda social nas empresas e na sociedade, mas também uma matriz de riscos de enfraquecimento do interesse público do investimento privado.

Materiais para aprofundamento

  • BISC: iniciativa da Comunitas voltada ao fortalecimento e qualificação do investimento social corporativo no Brasil, produz anualmente a única pesquisa dedicada ao investimento social corporativo. Todos os anos, o BISC monitora a evolução deste segmento por meio de dados quantitativos e também produz pesquisas de caráter qualitativo junto à sua Rede BISC, de empresas e institutos/fundações corporativos, para identificação de tendências e agendas prioritárias.
  • Chief Executives for Corporate Purpose (CECP): é uma organização dos EUA que fomenta uma coalizão global de lideranças empresariais focada em direcionar as estratégias corporativas para o impacto social. É uma referência internacional na produção de dados, métricas e relatórios sobre o investimento social e o engajamento comunitário de grandes empresas.
  • Business for Societal Impact (B4SI): referência global em medição e gestão do impacto social corporativo, orientam as empresas a contabilizem o impacto social com a mesma disciplina que qualquer outra área do desempenho empresarial. Propõem estruturas a partir das quais as organizações podem mensurar resultados, demonstrar o retorno sobre o investimento (ROI) e gerenciar o impacto para fortalecer a resiliência e o crescimento a longo prazo.